segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

lembrei-me das muitas previsões falhadas que tive conhecimento durante a minha já longa vida



Dieter Dellinger
1 h ·
Cuidado com os Especialistas - Nada sabem do Futuro
Quando ouvi um líder do patronato português dizer que os robots irão tirar um milhão de empregos aos portugueses lembrei-me das muitas previsões falhadas que tive conhecimento durante a minha já longa vida.
A automação completa ou parcial funciona já em quase todas as atividades desde a Via Verde, entradas no Metro. Pagamentos em supermercados, netbanco, net fiscal e em milhares de máquinas industriais e agrícolas, etc. Contudo, o desemprego sofreu uma queda apreciável nos anos e meses.
Recordo as célebres previsões do então conhecido “Clube de Roma” em 1972/3 que previam o fim do petróleo no futuro que seria a partir do ano 2000. Chegámos a 2019 e nunca houve tanto petróleo como agora e um país como os EUA tido como tendo as suas reservas esgotadas é agora um exportador do crude.
Também recordo de um livro sobre a China, as previsões de Lester Brown, diretor do “Worldwatch Institute” da ONU que no fim do século passado previado para os anos vinte deste nosso século uma gravíssima crise alimentar provocada pela China.
O homemn dizia, talvez com razão, que a China estava a aumentar em 20 milhões de habitantes por ano, o que não se está a concretizar agora, e que já chegara aos vinte por cento da população mundial que é verdade com apenas 7% das terras cultiváveis.
Assim, segundo o especialista mundial, a nova potência mundial teria de importar 100 a 200 milhões de toneladas de cereais e não haveria nenhuma nação com essa disponibilidade. Os cereais iriam subir de preço de uma forma desmesurada.
O homem não sabia que essas quantidades em relação à produção mundial é ínfima. Eu não acreditei porque sabia que a holanda produzia 20 vezes mais cereais por hectar que a Rússia.
Segundo a FAO, atualmente o mundo produziu na última campanha de 2017/18 cerca de 2,6 mil milhões de toneladas de grãos.
Não tendo sido possível encontrar compradores para tudo,pelo que há um stock de uns 500 milhões de cereais, principalmente trigo.
Os preços estão a ser equilibrados pelas intervenções estatais, mas descem suavemente de dia para dia.
.
Só o Brasil poderia cobrir quase todas as necessidades mundiais de soja e milho, mas encontra-se em dificuldades porque Trump ao impor direitos aduaneiros aos produtos chineses levou a China a comprar mais nos EUA, tanto de cereais como carne e petróleo para equilibrar mais a balança comercial negativa da terra do Trump.
Os agricultores chineses são hoje mais livres que antigamente, pelo que não querem produzir tantos cereais que são comprados pelo Estado a preços irrisórios, preferindo produzir frutas e produtos hortícolas que lhe rendem quase dez vezes mais por hectar.
A procura pelos grãos de soja e de milho cresce mais do que a de outros grãos, porque constituem a principal matéria prima para a produção de proteína animal (carnes, leite e ovos). Segundo dados da literatura internacional, de 1990 a 2017, a demanda pelos grãos de soja, milho, arroz e trigo aumentou, respectivamente, 207%, 108%, 46% e 36%.
Os países que mais contribuem para a produção de grãos são - pela ordem de importância – a China, os Estados Unidos (EUA), o Brasil, a Índia e a Indonésia. A China e a Índia, apesar da sua grande produção agrícola, precisam importar alimentos para suprir as necessidades alimentares de suas gigantescas populações (1,4 bilhões de pessoas cada), mais do que cinco vezes a soma das populações da União Europeia, ou, quase 40% da população mundial.
Sem ser um grande produtor de soja, a China é o maior consumidor global do produto, por causa da grande produção interna de carne de suínos e de aves. Mais de 60% da soja comercializada no mundo e mais de 70% da soja exportada pelo Brasil vai para o mercado chinês, o que muito contribuiu para que esse país se tornasse o principal parceiro comercial do Brasil, responsável por mais do que 20% do seu comércio exterior.
Com produção aproximada de 1,0 mil milhões de toneladas, o milho é o grão mais produzido no mundo.
EUA, China e Brasil são os principais produtores do cereal, com diferenças expressivas entre eles: 360 Mt, 220 Mt e 90 Mt, respectivamente (2017). Juntos, respondem por mais de 60% da safra global.
A produção de trigo e de arroz - cerca de 700 Mt cada - formam com o milho o principal trio de grãos em nível mundial. A soja vem em 4º lugar, com produção aproximada de 350 Mt. China, Índia e Bangladesh lideram a produção de trigo, enquanto que União Europeia, Rússia e EUA lideram as exportações e Egito, Indonésia, Argélia e Brasil, lideram as importações do cereal.
O arroz está fortemente concentrado na Ásia. China, Índia e Indonésia lideram sua produção, enquanto que a exportação é liderada pela Índia, Tailândia e Vietnã, sendo a China, Nigéria e Irã os maiores importadores do grão.
Apesar de haver excesso de alimentos no mundo, boa parcela da população de 38 países passa fome; 29 desses países estão na África, segundo a FAO. Esse problema não está vinculado à capacidade produtiva das lavouras desse países e do Mundo, ou da ineficiência dos nossos produtores rurais, mas à má distribuição dos rendimentos dos agricultores e do proletariado urbano. Os que ainda passam fome são vítimas da falta de dinheiro para comprar o alimento ou da corrupção que compromete o desenvolvimento dessas nações.
Vivemos um paradoxo: temos cidadãos fazendo regime porque precisam emagrecer por comer demais e outros, magros demais porque não comem o suficiente por falta de recursos financeiros para adquirir o alimento.
“Sempre houve alimento suficiente no mundo para todas as necessidades humanas; nunca haverá o suficiente para a cobiça humana” (Mahatma Gandhi)


Nenhum comentário:

Postar um comentário